A Tempestade no Lago

 

Marcos 4

 

Tinha sido um dia longo e Jesus estivera nas margens do lago onde pregara e operara curas milagrosas. Agora o azul do céu e da água começava a desaparecer e a noite caía.

    Vamos passar para o outro lado do lago — propôs Jesus, para satisfação dos discípulos, que logo começaram a aparelhar o barco.

A multidão, entretanto, afastou-se para as suas casas.

    Senta-Te aqui à popa, Mestre convidaram. Como eram pescadores experimentados, Jesus sentia-se em boas mãos e depressa adormeceu, enquanto eles tomavam conta do barco.

Mas mesmo o pescador mais experiente tem medo das tenebrosas tempestades que surgem de um momento para o outro no lago de Tiberíades. De súbito, o vento começou a soprar devagarinho e tornou-se cada vez mais forte, uivando assustadoramente. As ondas enormes punham o barco em grande perigo

. Era como se aquele lago tão calmo se tivesse transformado numa fera indomável.

Os discípulos não tinham mãos a medir, num esforço inútil para tirar água do barco. Parecia que quanto mais tiravam, mais entrava. Receavam que dentro de pouco tempo a embarcação se afundasse e eles ficassem dentro de água à mercê de correntes fortíssimas. Foram então ter com Jesus, mas este, para espanto deles, dormia profundamente.

Começaram a abaná-lo e gritaram para que as suas vozes se sobrepusessem ao barulho do vento.

   Acorda, Mestre. Não receias que morramos todos afogados?

Jesus ergueu-se logo e ordenou ao vento:

   Cala-te! Acalma-te!

De imediato o vento sossegou, as ondas tornaram-se mais pequenas e a calma regressou.

Então Jesus voltou-se para os discípulos e perguntou:

   Porque tiveste medo?

   Não sabíeis que podíeis confiar em Mim?

Eles não responderam. Estavam quase tão assustados com o que Jesus fizera com a tempestade.

— Quem é Ele? — Murmuravam. —     

Já se ouviu falar de alguém que desse    -- ordens ao vento e ao mar e fosse obedecido?